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Essure: nova técnica para ligadura de trompas
O Essure é a técnica mais moderna porque os microimplantes são introduzidos na trompa sem anestesia. São colocados por dentro da vagina por histeroscopia, não mais pelo abdôm

     A vida moderna trouxe à família, especialmente à mulher, a decisão sobre o número limitado de filhos que deseja ter, ou ainda, escolher abdicar de nova gravidez após gerar filho único ou decidir não tê-los. A medicina mundial busca continuamente suprir as necessidades da mulher atual, desenvolvendo técnicas para minimizar o mal-estar gerado por métodos contraceptivos em caráter provisório (DIU, pílula, etc) ou dores e cicatrizes de cirurgias contraceptivas permanentes.
Sidney Pearce compartilha sobre a evolução das técnicas de laqueadura ou ligadura de trompas, e apresenta o Essure como procedimento contraceptivo permanente mais moderno, disponível há três meses para uso no Brasil. “O Essure é um procedimento contraceptivo irreversível. São microimplantes colocados por via esteroscópica em ambas as trompas. Ele é composto de titânio e dacron (material polietileno). Quando inserido na trompa, ele se estende como uma mola, obstruindo-a e causando uma fibrose (cicatrização na trompa).”, explica dr. Sidney.

     As técnicas contraceptivas permanentes anteriores ao Essure utilizam a anestesia geral ou local caracterizada pelo corte e ligamento cirúrgico das trompas uterinas, sendo necessária a internação da paciente. Faz-se uma incisão abdominal, por anestesia raquidiana (método utilizado no parto cesariano) e costura-se uma parte da trompa. O Essure é a técnica mais moderna porque os microimplantes são introduzidos na trompa sem anestesia. São colocados por dentro da vagina por histeroscopia, não mais pelo abdômen, sem cortes e sem deixar cicatrizes. “A paciente é preparada como para exame ginecológico. O aparelho entra pelo colo do útero até chegar aos orifícios da trompa. O mais importante é que, trata-se de um procedimento rápido sem anestesia, sem internamento, podendo a mulher voltar às suas atividades normais de trabalho no mesmo dia.”, pontua dr. Sidney.

     A cicatrização é uma reação inflamatória normal do organismo ao objeto estranho. “O próprio organismo cria uma barreira natural garantindo que o espermatozoide não chegará ao óvulo.” acrescenta o ginecologista.

Decisão pelo contraceptivo permanente
     As razões mais comuns que levam as mulheres ao contraceptivo definitivo é a prole definida, ou aquelas que não podem engravidar por possuírem doenças incompatíveis com a gravidez (diabetes, hipertensão, problemas cardíacos ou pulmonares, e outros), ou ainda, por não adaptação a outros métodos contraceptivos (DIU, pílula, etc). A mulher precisa estar plena do seu equilíbrio psicológico quanto à decisão de não ter outros filhos. O período pós-parto é o menos indicado para tomar essa decisão, considera dr. Sidney.

Acompanhamento médico
     A vida sexual da paciente, sem a utilização de outros métodos contraceptivos, somente estará liberada após três meses de realizado o procedimento. O Essure terá êxito caso se consiga inseri-lo nas trompas em local ideal. Haverá um acompanhamento durante os três meses seguintes ao procedimento a fim de confirmar a laqueadura. O controle do Essure é feito por radiografia do abdômen.

Organização Nacional de Saúde
     A utilização do Essure também segue as mesmas recomendações da Organização Nacional de Saúde: mulheres com mais de 25 anos, com prole definida, que possuem mais de um filho e não tenham dúvidas quanto ao desejo de engravidar. As pacientes que não podem utilizar o Essure são aquelas que possuem alguma infecção, doença no útero ou estão grávidas.
No Brasil, o Essure foi liberado há três meses, sendo lançado em São Paulo no Congresso Brasileiro de Endometriose, em que o cirurgião Sidney Pearce participou e possui formação nesse método. “Na Europa já é utilizado há mais de oito anos, principalmente na Espanha. Estamos nos reunindo com os convênios de saúde a fim de disponibilizarmos o mais rápido possível aos pacientes conveniados.”, declara o médico.

     É proibido e vetado, na Constituição Brasileira, o médico realizar laqueadura após o parto ou aborto, e no período de resguardo. Há exceção quando a paciente corre risco de vida e já passou por mais de três cesarianas e o útero não tem condição nenhuma de conceber novamente. O paciente e mais de um médico deverão assinar termos de responsabilidade.